Não fomos feitos para estar parados. O sofá e a televisão são a negação daquilo que devemos ser. As nossas casas e dívidas são prisões douradas. Os confortos são as correntes almofadadas da nossa impotência. “Sou um estrangeiro para a polícia, para Deus e para mim mesmo”, escrevia Cioran. Devemos ser sempre estrangeiros, mesmo no país que o acaso escolheu para nós. Só assim é possível perceber que a nossa vida não é normal: os cenários e as pessoas que os preenchem não são naturais. Só dessa maneira podemos olhar para uma rua que passamos mil vezes e perceber que há estátuas em cima dos telhados. “Alma Ruim” é um blogue sobre viagens. Começará devagar como numa preparação de uma longa jornada.

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